Teresa Segurado Pavão
Exposição
Data
24 Mai / 20 Dezembro 2025
Hora
15:00 - 19:00
Local
Espaço Arte Contemporânea
Teresa Segurado Pavão
Folha de Sala
“Aprender a fazer ligamentos. Técnica antiga para consertar o arruinado, os grampos de metal, chamados «gatos», permitem manter unidas as partes de um todo quebrado: um prato, uma terrina, uma travessa que era preciso remendar de forma consolidada. Esses agrafos remetem para um tempo – um mundo, como horizonte de possibilidades definido – em que os objectos não eram pensados para usar e deitar fora, a sua obsolescência era mais demorada. Os objectos necessitavam de atenção e cuidado. O mesmo mundo em que os tecidos eram remendados, cerzidos ou chuleados. Quando dizemos que vivemos numa sociedade materialista, talvez seja um erro repetido demasiadas vezes: na verdade, dá-se pouca atenção ao material, à materialidade, e mais ao capital simbólico do modo de aparecer. Contrariando a sua época, Teresa Pavão promove o tempo do cuidado. Da paciência. Do (re)ligar.
Ética da quantidade: ser contido nos elementos e incontido nas possibilidades. Contenção e desmesura. Estas peças são compostas por variações de, apenas, três elementos – assumidos na sua diferença: fragmento partido, cerâmica nova e ligamento metálico. No entanto, nascendo dessa repetição de elementos e operações, são sempre únicas e singulares. A quantidade é, por isso, também um elemento essencial, nesta exposição, no sentido da desmesura: o número de peças desta série, o enorme trabalho de atenção a cada fragmento para criar o ligamento e a cerâmica nova, a aproximação por famílias que revela a variedade de partes possíveis de um mesmo todo; a artista sublinha a multiplicidade e abundância de acidentes e o modo sempre único de lhes responder. Nessa imensidão de peças, parece prometer o infinito.”
Paulo Pires do Vale in O som da chávena a partir na gaveta – Exercícios para aprender
a lidar com a ruína – a propósito das obras de Teresa Pavão.