Pedro Casqueiro
A Exposição
“Talvez a característica mais constante da obra de Pedro Casqueiro seja exatamente este peculiar posicionamento das suas peças − o modo como elas forjam um regime de experiência que, recorrendo a um conjunto de códigos amplamente disseminados, cria um campo de expectativa que é, em si mesmo, e sem que essas expectativas conduzam a qualquer outro resultado, a totalidade da experiência. Apareça ele na forma textual, sinalética, pictogramática, geométrica, simbólica ou emblemática, é o próprio código que desfila frente aos nossos olhos, expurgado de tudo o que não seja a sua expressão em potência.
A menos que entendamos a noção de conteúdo em arte como algo que produz necessariamente um comentário valorativo sobre determinadas realidades (extrínsecas ou não), este posicionamento das obras de Pedro Casqueiro não significa que elas estejam privadas de conteúdo. O seu conteúdo está, isso sim, totalmente concentrado na simulação (que é outra maneira de dizer representação) das condições que permitem que reconheçamos uma potencial comunicação por intermédio de um específico e criterioso agenciamento dos sinais da sua expressão.”
Bruno Marchand
In texto para catálogo da exposição Missão Fria de Pedro Casqueiro,
Fundação Carmona e Costa/DOCUMENTA, 2017