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Maria José Oliveira

A Exposição

A barca evoca a viagem até outros mundos, mares e horizontes renovados e no sem- fim. Mais, lembra Homero no seu périplo, sem retorno nem descanso, condenado às forças de Neptuno. Eternamente.
Viajar é preciso porque a viagem excede a vida, satura-a; interrompe-a no seu percurso mais ou menos previsível e doloroso, faz dela um espetáculo. A paz que se abate sobre os viajantes quando voltam é a de saberem que o mundo é vasto, com espaços bastantes para costumes, gostos, princípios e usos de toda a sorte, e que, sem terem de renunciar aos seus próprios gostos, não os tomam mais por mandamentos universais.

No corpo que se destaca da barca insinua-se a ideia do corpo-veículo, que em rasgos de exaltação liberta o espírito e, como o sol e a lua, flutua no oceano celeste. Estas são as palavras com que Maria José Oliveira apresentou a Barca, no catálogo da sua exposição dimensões – da vida e da terra, no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa em 1999.
Quatro palavras estruturam este rigoroso e belo texto poético, a viagem propiciada pela barca, que transforma a vida num excesso de emoção, que nos dá o conhecimento de tão diferentes terras e gentes, num reconhecimento da diversidade que é a paz e que nos liberta o corpo para um paradoxal espaço que é o oceano celeste.

A escolha da forma feminina barca não é irrelevante. Barca era o nome antigo para embarcações de uso prático e quotidiano de transporte das gentes entre as duas margens dos rios, mas lembra de imediato as barcas solares do antigo Egito, umas para atravessar o céu e outras para levar os mortos para os submundos, a barca grega de Caronte que fazia a passagem do mundo dos vivos para o mundo dos mortos, ou as barcas dos autos de Gil Vicente em que mulheres e homens transitavam entre o Inferno, o Purgatório e a Glória.

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